terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pequena nota musical

Era para hoje, era para segunda, era para terça, quarta e 3 da tarde e nada. Sacana, não me ligou. O Audi, estacionado como a dizer-me « monta-me» e eu o montava montava e desmontava malas nas malas e mais malas nas malas e umas palavras a sairem como bebericos a fecharem a porta  , bochechudo, e sai  o desgraçado.
Três da tarde, o sol a despertar as meninas da varanda em frente, que se delicíam ao redor da piscina, um polegar na porta, um dedo, uma campainha,  uma hesitação, desperta para fora, como que curiosa e um espanto meu
- pequena
O som da campainha a tirar-me dos devaneios da tarde. As meninas a passarem as toalhitas pelo corpo arrepiado , eu a sair, um olho como lupa a espreitar pela azeitona da porta, e do outro lado , flores, umas amarelas, umas rosas, deste lado, que energúmeno. Um chocalhar e
- Surpressa
ah, sim. A mesa de vidro , oriental , o tapete persa, meu deus, que noite aquela na tenda do gato de turbante; no reflexo do vidro da mesa,um maço. Hum, mexo os lábios, língua, vou directa ao fecho Zás!! espanto meu, quando a criatura a tira
- pequena!

Pequena pauta, um Lá demasiado dobrado, passo a língua pela métrica, é uma nota musical demasiado breve,  demaisiado Mi, este não tem nada a ver com o baterista de noventa seis. Baterista , diz-me a criatura. Peço-lhe que me mostre as baquetes, « nem imaginas o estrondo que isto faz» diz-me, senta-se na cadeira, senta-me com ele, e eu com ele, mete-me as mãos, um arrepio me corre na espinha, em frente a menina  dos arrepios na piscina , com os cabelos loiros a a beijarem as costas, e aqui, o atrevido , a ajeitar-se e eu a sentir as vibrações aumentarem, a batida a se iniciar, a baquete a cair para o chão, e foi mesmo ali. Um batedor, um conhecedor do terreno e das cúpulas,desgraçado, miserável, e pus as mãos no Ton, a perna no Surdo, e soava , soava ...O ceú, azul, limpo de qualquer nuvem, o sol a incendeiar-se em cima, abro os olhos com a água da piscina  a refrescar-me o corpinho de avelã.
 Afinal, ainda dizem  não haver orgasmos de sonho.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Voo 69, destino? paraíso

O pacóvio, o ingénuo, o inocente. Hum, gosto desses. Fáceis de domar, fáceis de os colocar aos meus caprichos, e não são muitos. Senta-se no bar o pacóvio de jeans e gel a olhar-me com aqueles olhos verdes de cavalo, esses mesmo, baba ,muita baba. No outro dia o Gustav apaixonou-se por uma loira oxigenada e deixou-me como um passo doble em decadência lenta , enervada, malas feitas, directa a Paris , até que ,




- O teu pai é ladrão? só pode! roubou o brilho das estrelas para o pôr nos teus olhos




Ah , ah, soltei uma gargalhada imensa , ah, ah, sim, pois claro.Virei.me , indiferente, inquieta o deixei, pendurado nos seus olhos lá estavam os sonhos dele , a mim, deitadinha , um corpete preto, uns seios arredondados e arrozados, um perfume no rio do meu peito, uma nascente mais abaixo, um ceú mais acima, sonha. Sonha alto o pacóvio português com a literatura mais barata que se esconde atrás das prateleiras dos super mercados. Ao que parece o August fugiu, ele uma prateleira, e mais um ármario, ambos iriam ser felizes e defronte de mim, triste sina esta,




-  « estás presa esta noite. Acusação? o de invadires os meus sonhos. »




Farta dele, farta de tudo, farta do champanhghe que nunca mais chega, farta do August que partiu com o ármario e com o seu belo Cupra  metalizado! Fecho a tampa do piano! agarro-lhe na gravata, puxo-a , junto dos meus lábios, lábio com lábio, a plateia , ansiosa, passo-lhe a língua pelo nariz fungoso pelos lábios macilentos um toque do saxofone e dou uso ao copo do champagne que lhe acenta que nem um chapéu e este filme daria um título O Pacman et Mia love, je n'e connais pas le fin , mas agrada-me mais os lábios macilento ,




- Então




que bem me pareciam na altura, melhores agora, o  hábito faz o monge, reza o ditado, o hábito de soprar  parece fazer milagres e desentupir as artérias e pôr a banda inteira em delírio para quem ouve , a contar do rés-de-chão, até ao sétimo andar, que eu gosto de escalas , para cima e para baixo apazigua-me, agrada-me correr , uma por uma, secção por secção, enquanto o pacóvio se torna a chacota dos amigos pacóvios




- Então!?




com o beicinho de fora , ah, quem me dera o Pierre da Noite passada. Saltou-me a janela , maldita criatura que me apetece agarrar e levar para casa, prênde-lo a cama e dizer-lhe  « agora não sais daí» e tê-lo só para mim. Desabotoou-me o emaranhado soutien , enquanto me descobria os seios os seus olhos eram um barbeque e eu no espeto  « seu louco!» ai, que saudades do Pierre. Saltou a janela, às 5 da manhã com o ladrar dos cães até que veio o pastor , « Malandro soltou-se ! » rasgou-lhe as calças e o cu de fora enquanto corria para o Audi , estacionado junto a uma pequena árvore, agonia total para a criaturinha! O pacóvio a exibir os seus sapatinhos de dez para as duas e umas mãos que lhe puxam as calças, risada total e antes das três no quarto do hotel o Pierre lançado , eu a Ipiranga; Nova Iorque em baixo, em cima , dentro, ai, fora, cócegas nas costas e risos, risos e  mãos nos lençóis, o avião a ouvir-se, o Pierre a despedir-se ao lado da asa com aqueles dedos mágicos que acertam em todas as teclas sem errar nenhuma, e eu,aqui, a desejar a desejar em frente a um pacóvio de calças em baixo  :
- Por favor, dêem-me um outro avião! preciso de voos , novos voos .

sábado, 20 de novembro de 2010

Valsa Lá em sentido pleno

Tem as mãos no piano com os dedos compridos a Tocar Chopin. Ainda na noite passada tocou-me uma valsa. Levantou-se erguido com o seu fato de pinguim o Maestro colocou as mãos , bem postas, bem posicionadas, retirou da sua sonata e eu não estava habituada a estas coisas. Subi as meias de Lycra, pretas, o Maestro ajeitou o corpete suavemente. Deu dois dedos e que profundidade. Quando estava a perceber a melodia deu um solavanco e meteu mal a segunda nota . Ficou atrapalhado e tirou do saxofone. Desci agora as meias, o que restava delas, tirei os sapatos, lançados fora num tal ímpeto de vulcão me agarrou como a uma tecla. Descia com os lábios os magnifícos acordes «Lá» apanhando-me o preto e o branco das cuecas em xadrez compradas num centro qualquer; revirou a cabeça, tocava a melodia e as mãos: humm…uma magnitude digna de Mestre. Dizia-me que era a «Musa» e de Musas anda o mundo repleto. Já sem o xadrez da Valisérie, que me custou os olhos da cara. Prelúdios que eu adivinhava quando o Maestro colocava a plateia em sentido e elas ficavam  direitinhas, pleno, a espera da contemplação daqueles dedos, num voo de campino. «Anda cá, agora ficas aqui» dizia-lhe eu. Mas para desconsolo da plateia ansiosa teve o Maestro que parar a meio quando tudo estava a ficar no ponto. É o que dá as valsas e as sonatas: quando julgamos que elas estão a concluir o que queremos ficam a meio do trabalho.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Whiskey Bar, Please!

Ajeitei os cabelos em frente ao Espelho do Pierre. Na noite passada descemos a avenida de Sunset Boulevard. No meio da rua estreita o músico espreitava umas saias curtas « well, show me the way» enquanto a menina se debruçava na auto lavagem . E cada movimento no porta malas do carro o arrebatava « oh, don´t ask why. Show me how to get the next whiskey bar» Passamos o músico entretido e a menina da auto-lavagem. E para trás ficou Alabama, ficou o Whiskey, ficou a rica menina cheia de encantos : Parou o Corvete. Entramos as três. Eu e a Stripper, eu e a menina de olhos castanhos, eu e o Pierre.Amo-te, dizia-me o fofinho. Abrimos o champagne. Bebemos e sorrimos para os fardados que nos acenavam com outra coisa.Gracejamos.Paramos. Descemos um pouco e estacionamos a frente. Os bares. Os vestuários reduzidos: meninas de Bikini, meninos de « bombas atómicas» decidi logo ali ficar. E fiquei, pois fiquei. Talvez alguém me acenda o rastilho. Ansiosa. A Annabella ficou com o soldado de farda branca. Que mastro!- Dizia-me ela. Agarrou-se bem para não cair, sacudiu, sacudiu e veio. Jorrou, jorrou champagne até ao busto de duas peças apenas da minha amiga.Com que pena ele ficou.
Entretida , os deixei nas suas marés. Encontrei o músico e já tinha amestrado com os seus encantos de touro disfarçado a musa da auto-lavagem. Escrevia-lhe palavras ao ouvido,docemente, místicamente, sem ficar indiferente, ela o levou para dentro do Whiskey bar. Ficou em pauta.
Senti um calor nas costas. Senti um calor no tronco, nas ancas, nas nádegas.( e a guitarra a gemer , a gemer) O quarto foi já ali.Levantou-me a saia, Atrevido. Encostou-se, eu encostei-me mais. Ajeitou-me as letras para o lado « I feell u » Sacana. Sabe-me tirar de mim . E ao fundo alguém gritava: « Oh, we must have Whiskey!»




Ponho o secador ao lado... Dou um toque de menina com a cabeça e dou um sorriso. Mensagem no telefone: "Hello, my sweet little girl. Don´t ask why, babe, but, let´s Play!" Deixei o Pierre na cama , no seu sono de menino bem comportado . Lá fora o Cadillac esperava a little girl.  Oh, don´t ask why!