domingo, 19 de dezembro de 2010

Onde há fumo , há foguinho. Há homens que se intimidam comigo, outros que lhes sobe pelas vértebras um nervoso miudinho que lhes paralisa a epiglote e nem uma,nem duas, digo Senhores, uma sílaba sequer que o ignóbil inergúme consiga dizer. Depois temos os casados. Senhoras, tapem os ouvidos. Esses desgraçados.O piano ao comprido. O indicador a correr , devagar devagarinho , o indicador a subir , nota por nota, e os olhos do casado , imóveis, petrificados. Agora , toco eu , digo-lhe. Esses , paralisam. Há muito que não vão a um bom concerto, que não comem gambas. Esqueceram-se do do interesse quando uma mulher tem a ´cabecinha´ do camarão na boca , já bem molhada por ele, e deliciada. O frisante a correr-me as artérias. Há fuminho, há foguinho e a sardinha  na brasa. A virar-se, de um lado ao outro, a dançar feita uma danada.
 Aqui a Miss, hoje está assim. Desvairada, louca de si, não há missa que  lhe valha e muitas já foram as Avés de joelhos e as contas já nem vê-las .
 O assador, com a mulher fora de casa « vou-te saltar para a espinha » cai o frisante . Bela Gazela , eu lhe diga . A piscina a tremer com um pequeno gemido do vento, a sardinha a ficar sem escamas, a ser comida de todas as maneiras e feitio -  atrás, de lado, à frente - com os tomates a fazerem o requinte e os milagres do azeite a uniformizarem a frutinha. Uma boa salada, prato completo. Foi à hora de almoço que a brincadeira acabou.
 A mulher do assador correu atrás do homem a pedir contas da sardinha comida enquanto a desgraçada criatura  saltava a vedação. Onde há fumo, há foguinho. Ela ainda procurou pela sardinha, mas nem rasto dela . Essa , já há muito que tinha sido comida.

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